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Fake news, fake profiles e outras tretas - 05-09-2019

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Há dias, um amigo desafiava-nos a criar um polígrafo exclusivo para a Madeira. Falávamos nisto, atendendo à quantidade de notícias falsas que por aí circulam. E desengane-se se acha que são exclusivamente provenientes de lixeiras tóxicas do Facebook, ou de asquerosos blogues anónimos, ou de perfis falsos de gente cuja coluna vertebral é muito gelatinosa. Não. Infelizmente, as “fake news” aparecem diariamente plantadas em órgãos de comunicação social de referência. Aliás, por cá, a este respeito, já inovámos: fomos ao cúmulo de ver publicada, num órgão de comunicação social, uma notícia a dar conta do aparecimento de um blogue anónimo de intriga e maldizer, composto por gente que se esconde cobardemente atrás do anonimato, mas que se arroga no direito de dar preleções sobre ética e moral. E isto, num jornal diário! Mas, para além deste caso, manifestamente extremado, a verdade é que diariamente vemos plantadas notícias falsas na imprensa regional. Esta questão deveria preocupar to...

O CARLOS, A ANA E O JOHNNY. SABEM QUEM SÃO? Opinião | 08/08/2019 08:00

No passado dia 24, teve lugar o Fórum Madeira Global, onde muito se refletiu e discutiu sobre a participação política das comunidades madeirenses. Nas suas conclusões, ficou claro que os madeirenses emigrantes têm a legítima aspiração de poder participar na vida política da Região, tendo os participantes exortado o Governo Regional a não abandonar o processo de revisão da Lei Eleitoral, de modo a permitir aos emigrantes votarem para a Assembleia Legislativa da Madeira. A exortação assenta no facto das comunidades serem consideradas o prolongamento da autonomia regional, dando dimensão global a uma Região com 250 mil almas, situada a meio do Atlântico. É tão antigo o desejo de participação política quanto a intransigência das forças centralistas que impossibilitam o exercício deste direito. Já desde a Assembleia Constituinte que se discute esta possibilidade, argumentando-se com a unicidade da cidadania portuguesa. Contudo, se formos ler as atas, parece claro que a posição maior...

DIZ-ME AFINAL QUEM TU ÉS! Opinião | 11/07/2019 09:00

“Remador de altas marés, Frase suspensa no mundo, Português do mais profundo Diz-me afinal quem tu és!” Ilha que é Gente, Irene Lucília Este ano celebram-se 600 anos do Descobrimento da Madeira. Ou do Achamento. Ou da chegada dos portugueses. Ou da colonização. O que interessa é que foram 600 anos a enfrentar a fúria dos elementos; a desbravar a “montanha agreste”; a conquistar a nossa emancipação. Ao longo destes anos, da miscelânea étnica e cultural que foi povoando a Madeira, emergiu um povo intrépido, bravo e trabalhador, que não se resignou à humilde condição a que estaria votado e, nesta terra e além-mar, ousou desafiar o seu destino, deixando um legado em crescimento às gerações futuras. Fruto desse traço genético diverso, prenhe de ousadia e coragem, que herdámos dos nossos avós, construímos uma sociedade global e multicultural. Porque é uma sociedade que não se faz apenas com aqueles que cá estão, nem se faz de um só sangue. Faz-se também com sangue de outras p...

“AMOR EM TEMPO DE MUROS”* Opinião | 20/06/2019 08:44

São dias escuros Meu Amor, Amor em tempo de muros Somos do lado dos puros, Amor sem tempo e sem muros. Pedro Abrunhosa Assinala-se hoje o Dia Mundial do Refugiado, data em que se pretende prestar homenagem à resistência e à força de todos aqueles que foram obrigados a fugir de suas casas, por motivos de perseguição, calamidades ou de guerra. De acordo com as Nações Unidas, temos hoje 70,8 milhões de pessoas deslocadas dos seus países. Se acrescentarmos os “refugiados das alterações climáticas”, isto é, todas aquelas pessoas que se vêm forçadas a imigrar devido aos impactos negativos que as alterações climáticas têm sobre as suas regiões, este número deverá ultrapassar a centena de milhões. São números assustadores e que não tendem a diminuir. Aliás, a tendência é para que o número de “refugiados do clima” continue a crescer, atendendo à subida do nível das águas do mar e ao agravamento de fenómenos meteorológicos extremos. Por si só, estes são já motivos de pr...

JULHO, MÊS DA DIÁSPORA Opinião | 13/06/2019

“Atravessando o vasto oceano, a Madeira emerge como um milagre verde e vertical que transporta, mesmo quem já viu muito mundo, até ao seu princípio. Talvez as ilhas permitam essa espécie de reencontro com o paraíso e daí o seu interminável fascínio. A Madeira não é o finisterra, os confins do mundo ou uma das suas fronteiras remotas. A Madeira é o início do mundo, é qualquer coisa antes da história (…). A Madeira não é uma jangada à deriva no tempo. A Madeira é um útero, um vácuo cósmico onde o tempo não corre, o colo de um vulcão maternal.” ​José Tolentino Mendonça, no Fórum Madeira Global 2017 ​ O verão é a época alta da ligação de Portugal com a sua diáspora, quando ao território nacional regressam os filhos da terra e os seus descendentes. ​Nesse período estival, os emigrantes que regressam para o período de férias animam as suas terras-natal, revitalizando o interior e estimulando as pequenas economias locais. A Região não é exceção, com a diferença de que na M...

ELEIÇÕES EUROPEIAS E DIÁSPORA: O VOTO PODE SALVAR! Opinião | 19/05/2019 08:00

É já um cliché evocarmos a importância da participação cívica e política dos cidadãos, nomeadamente através daquela que é a sua mais poderosa ferramenta em democracia: o voto. Mas se muitos cidadãos põem em causa o valor do seu voto e a sua real relevância para a qualidade de vida e para o sucesso da governação, sabemos, por experiência própria, que ainda é mais difícil mobilizar a população para as eleições europeias. As causas para os elevados níveis de abstenção serão muitas e variadas, algumas estruturais (como a distância dos polos de decisão e a máquina excessivamente burocrática), mas estou em crer que a grande maioria das causas são de natureza conjuntural. Quer isto dizer que as pessoas se sentem mais ou menos motivadas para votar de acordo com os diferentes contextos sociais, culturais, económicos e muito especialmente com as conjunturas concretas individuais, das regiões e dos países. Há mais de 100 anos, Ortega Y Gasset, nas suas “Meditações do Quixote”, ensin...

Sobre lideranças

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Miguel Filipe é o CEO de uma multinacional que emprega milhares de funcionários. É um dirigente que se empenha no exercício da sua profissão, dedicando à empresa 12, 14, 16 horas diárias. Frequentemente não pode gozar fins-de-semana porque tem de reunir com dirigentes locais, visitar filiais, reunir com os trabalhadores e participar em ações de formação e de team building. Sabe que os maiores ativos são os seus trabalhadores e por isso investe neles e nas boas relações humanas. No seu trabalho, fez-se rodear por uma equipa de administradores especialistas em cada um dos sectores de atividade da empresa, o que lhe permite dedicar-se à orientação geral e a atividades prospetivas. Confia na equipa que escolheu e por isso delega, sem necessidade de controlar todo o funcionamento da organização. Miguel Filipe é um homem casado, pai extremoso de duas crianças menores: uma com 3 e outra com 8 anos. Apesar do amor e carinho que dedica aos filhos, tem noção de que sofrem com as suas frequente...