Voto inSeguro, mas voto!
Há momentos na vida democrática em que o voto deixa de ser um gesto de entusiasmo, de esperança ou de confiança no futuro. São momentos em que pouco mais nos resta do que praticar um ato de contenção (ou até de contrição!). O horizonte dos próximos cinco anos é marcado por uma frustração inevitável, contra a qual nada há a fazer. Nestas eleições presidenciais, nunca nos foi oferecida uma verdadeira oportunidade para celebrar uma visão de futuro. Não nos foi apresentada nenhuma alternativa capaz de suscitar esperança. Não nos foi dado escolher o melhor dos mundos. A decisão que temos diante de nós é simples e trágica: determinar qual destes dois maus mundos ainda é habitável. Álvaro Cunhal, em circunstâncias bem diferentes, e perante a escolha de dois candidatos cuja dimensão política atira para um canto a totalidade das escolhas que nos foram apresentadas, formulou com brutal clareza o que temos de fazer: “(…) engolir um sapo. Se for preciso, tapem a cara com uma mão e...