Não vou em (a)Ventura(s)
Nos anos 90, percorria eu os corredores da Faculdade de Letras na Universidade de Coimbra, enquanto estudante de Filosofia, li um artigo de opinião de João Carlos Espada subordinado ao tema: o paradoxo da Democracia. A ideia do autor era simples: a democracia liberal é o único regime político que aceita no seu próprio seio ideologias que podem atentar contra a sua sobrevivência. Ao contrário dos regimes autoritários, que se protegem pela exclusão, a democracia vive da abertura, do pluralismo e da liberdade de expressão, mesmo quando estas são usadas para contestar os seus próprios fundamentos. Mais, a democracia liberal permite que até não-democratas possam ser candidatos em qualquer processo eleitoral, colocando em risco a sua continuidade. O politólogo português desenvolveu este conceito a partir da ideia de Karl Popper, ao lembrar que a tolerância ilimitada conduz à destruição da própria tolerância. É à luz deste paradoxo, e não de qualquer desconfiança em relação ao voto, que eu av...