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A diáspora e o futuro JM 04-05-26

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A Madeira aprendeu cedo que o mar é, simultaneamente, fronteira e caminho. Milhares de madeirenses partiram em busca de oportunidades que a sua terra, em diferentes momentos da história, não conseguia oferecer. Levaram consigo a sua capacidade de trabalho, coragem e a sua herança cultural. É impossível compreender a identidade madeirense sem compreender a emigração. A nossa história coletiva está ligada aos que partiram e aos que, à distância, continuaram a construir a Região. Em vários continentes, os madeirenses criaram comunidades sólidas, preservaram tradições, mantiveram viva a língua portuguesa e transmitiram às novas gerações valores e memória. Mas também contribuíram para o nosso desenvolvimento através do envio de remessas financeiras e investindo na sua terra. Todavia, a diáspora madeirense não é apenas passado. É presente e, sobretudo, futuro. É uma extensão viva da nossa comunidade. Onde existe um madeirense, existe também uma ponte possível com a Madeira: económica, cultur...

A diversidade que nos une JM 29-05-26

  Disclaimer: As fronteiras definem nacionalidades, não caráter. Por isso, como herdeiro de uma matriz ética judaico-cristã, identifico-me mais com alguém que vem de fora mas de espírito aberto, capaz de reconhecer a dignidade e a humanidade do Outro do que com um conterrâneo com um discurso que instila e apela ao ódio. Mesmo que tenha o meu sobrenome! A diversidade que nos une Como soe dizer-se, mão amiga chamou-me a atenção para um vídeo publicado pelo deputado do Chega Francisco Gomes, em que este, naquele estilo irado, lançava invetivas com base em declarações minhas. Sobre a forma, há pouco a dizer: foi mais um daqueles vídeos em que parece estar permanentemente zangado com o mundo. Meu caro, o seu estilo não transmite indignação, rigor ou convicção. Revela apenas teatralidade de TikTok político, ira e uma permanente necessidade de fabricar inimigos para sobreviver politicamente. Um conselho: alprazolam ajuda. Ou, se preferir, umas aulas de yoga. Há excelentes instrutores, loc...

Sá-Carneiro e o Personalismo não cabem no populismo JM 21-06-26

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"Quando os maus se organizam, os bons devem associar-se; caso contrário, cairão um a um, vítimas sem compaixão numa luta desprezível." Edmund Burke Há coisas sobre as quais não vale a pena perder muito tempo. Por irrelevância ou vacuidade. É o que costuma acontecer com a esmagadora das coisas ditas por dirigentes do Chega. Todavia, há coisas que não podemos deixar passar. A tentativa de apresentar o Chega como o "verdadeiro herdeiro" do Personalismo e de Francisco Sá Carneiro é uma intolerável operação de retórica. Mais: é uma fraude! Comecemos pelo personalismo. Para Mounier, a dignidade é universal. A pessoa humana, qualquer pessoa humana, não adquire valor por ser portuguesa, francesa ou de qualquer outra nacionalidade. Possui valor antes de qualquer pertença. A dignidade é intrínseca a qualquer pessoa. A todas as pessoas. E neste sentido, opõe-se a qualquer coletivismo (adorados pelo Chega e pela extrema-esquerda, pasme-se!) e a qualquer individualismo capitalis...

Raízes que permanecem, pontes que unem JM 25-07-26

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  Raízes que permanecem, pontes que unem Ontem tivemos mais uma edição do Fórum Madeira Global. Foi um momento para a reafirmação do compromisso entre a Madeira e as suas comunidades, entre aqueles que vivem na Região e aqueles que, por circunstâncias da vida, construíram o seu percurso além-fronteiras sem nunca deixarem de levar consigo a sua terra, os seus valores, as suas tradições e os seus costumes. A edição de 2026 revestiu-se de um significado muito particular. Celebrámos os 50 anos da Autonomia da Região Autónoma da Madeira e os 10 anos do Fórum Madeira Global. Duas efemérides que, embora distintas, convergem na mesma ideia: a afirmação de uma Madeira mais forte, mais confiante e mais capaz de projetar a sua identidade para o mundo. Ao longo destas cinco décadas, a Autonomia permitiu à Região alcançar um nível de desenvolvimento que poucos poderiam imaginar. Em apenas cinquenta anos, a Madeira transformou-se profundamente, consolidando infraestruturas, melhorando a qualidad...

Entre o populismo e a verdade JM 21_08_26

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  Entre o populismo e a verdade Há quem, na política, evite o confronto e se refugie no silêncio cobarde, a ver se passa entre os pingos da chuva. Para mal dos meus pecados, não sou um deles. Por deformação académica e, sobretudo, por convicção ideológica, acredito que as divergências políticas devem ser discutidas olhos nos olhos, com argumentos e factos. É por isso que não consigo ficar indiferente quando vejo a mentira, a suspeita e a estigmatização transformadas em instrumentos políticos. Sei que este texto vai valer mais um ou outro vídeo inflamado do deputado do Chega eleito pela Madeira. Aquele que se apresenta como paladino da verdade, mas sobre o qual se vão conhecendo ligações políticas, alegadas falsidades no CV, nomeações polémicas, questões relacionadas com a utilização de recursos públicos e suspeitas de difamação, entre outras polémicas. E sei que também me irá valer mais umas quantas ofensas gratuitas feitas por anónimos cobardes nessas páginas de maledicência que a...

Não é memória, é futuro! JM 18-09-26

Sempre que viajo em trabalho obrigo-me a olhar para a nossa própria história e percebo que a Madeirensidade é também edificada a partir da história das migrações madeirenses. E a minha deslocação a Jersey comprovou isso, uma vez mais. Revelou-se como uma oportunidade extraordinária para compreender melhor esta comunidade que há décadas atravessa o Atlântico, leva consigo a Madeira e, ao mesmo tempo, constrói uma vida própria num território que também passou a ser seu. Ali, naquela ilha, as nossas gentes construíram uma comunidade, mas contribuem ativamente para a edificação da nossa cultura e da nossa identidade, ainda que à distância. A relação entre a Madeira e Jersey não começou agora. Foi construída por gerações de madeirenses que chegaram a esta ilha à procura de trabalho e de uma vida melhor. Muitos encontraram dificuldades, barreiras linguísticas, culturais e sociais e, em alguns casos, situações de exploração. As gerações mais antigas não tiveram as mesmas condições que hoje da...

Geografia Insular, Identidade Global 9/03/2026 08:00

Geografia Insular, Identidade Global A Autonomia da Madeira não termina no mar. Esta afirmação política poderia, por si só, definir a Autonomia Regional. Porque, apesar de a nossa geografia ser insular, a nossa identidade e a nossa vocação são efetivamente globais. É essa dimensão que garante o nosso sucesso. Se dúvidas houvesse, a ideia ficou bem vincada na Conferência Açores–Madeira sobre os “50 Anos de Autonomia nas Comunidades”. Ficou claro que as autonomias insulares não se esgotam no território físico das Regiões: estendem-se à sua extensão humana no mundo. No encontro, com sessões nos palcos atlânticos de Ponta Delgada e do Funchal, reafirmou-se também uma verdade essencial: a Autonomia, determinante para o progresso das Regiões e para o sucesso das nossas comunidades, não nos foi oferecida. Foi conquistada. Exigiu visão estratégica, coragem política e capacidade para enfrentar centralismos profundamente enraizados na sociedade e na classe política da metrópole. E continua a exi...

Voto inSeguro, mas voto!

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  Há momentos na vida democrática em que o voto deixa de ser um gesto de entusiasmo, de esperança ou de confiança no futuro. São momentos em que pouco mais nos resta do que praticar um ato de contenção (ou até de contrição!). O horizonte dos próximos cinco anos é marcado por uma frustração inevitável, contra a qual nada há a fazer. Nestas eleições presidenciais, nunca nos foi oferecida uma verdadeira oportunidade para celebrar uma visão de futuro. Não nos foi apresentada nenhuma alternativa capaz de suscitar esperança. Não nos foi dado escolher o melhor dos mundos. A decisão que temos diante de nós é simples e trágica: determinar qual destes dois maus mundos ainda é habitável. Álvaro Cunhal, em circunstâncias bem diferentes, e perante a escolha de dois candidatos cuja dimensão política atira para um canto a totalidade das escolhas que nos foram apresentadas, formulou com brutal clareza o que temos de fazer: “(…)   engolir um sapo. Se for preciso, tapem a cara com uma mão e...

Não vou em (a)Ventura(s)

Nos anos 90, percorria eu os corredores da Faculdade de Letras na Universidade de Coimbra, enquanto estudante de Filosofia, li um artigo de opinião de João Carlos Espada subordinado ao tema: o paradoxo da Democracia. A ideia do autor era simples: a democracia liberal é o único regime político que aceita no seu próprio seio ideologias que podem atentar contra a sua sobrevivência. Ao contrário dos regimes autoritários, que se protegem pela exclusão, a democracia vive da abertura, do pluralismo e da liberdade de expressão, mesmo quando estas são usadas para contestar os seus próprios fundamentos. Mais, a democracia liberal permite que até não-democratas possam ser candidatos em qualquer processo eleitoral, colocando em risco a sua continuidade. O politólogo português desenvolveu este conceito a partir da ideia de Karl Popper, ao lembrar que a tolerância ilimitada conduz à destruição da própria tolerância. É à luz deste paradoxo, e não de qualquer desconfiança em relação ao voto, que eu av...

Memória, verdade e futuro! 12/12/2025 07:40

  Memória, verdade e futuro! 12/12/2025 07:40 No dia 18 de dezembro assinala-se o Dia Internacional dos Migrantes. Para marcar a efeméride, a Direção Regional das Comunidades e Cooperação Externa promoveu uma campanha que dá a conhecer a diversidade cultural e o ambiente intercultural que se vive na Madeira e que nos afirma como uma Região aberta, plural e cosmopolita. Uma realidade visível hodiernamente: da restauração à agricultura, das pescas aos serviços, dos trabalhadores menos qualificados aos altamente especializados, passando por estudantes, investidores, artistas, investigadores, professores e desportistas. É esta diversidade que enriquece a nossa sociedade e contribui para o seu desenvolvimento. Esta data lembra-nos também uma verdade frequentemente ignorada nos debates públicos: a história da humanidade é, desde sempre, uma história de migrações. Povos, culturas e economias nasceram do movimento, não do isolamento ou da estagnação. A mobilidade foi decisiva para o desenv...

Amanecerá y veremos - JM 09_01_26

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  Amanecerá y veremos Em muitas casas madeirenses, de Maturín à Calheta ou de Maracaibo ao Funchal, o início de 2026 trouxe o mesmo ritual silencioso: ligar a televisão, confirmar notícias, trocar mensagens curtas e esperar. Esperar por sinais de estabilidade, por palavras de tranquilidade, por um amanhã que traga maiores certezas. Desde o dia 3 de janeiro, milhares de famílias mantêm-se expectantes relativamente ao futuro, com apreensão, mas também com esperança e confiança. A Região Autónoma da Madeira acompanha com especial atenção o desenrolar dos acontecimentos na Venezuela, dada a profunda ligação histórica, social e afetiva que une estas duas sociedades. Não falamos apenas de laços simbólicos, mas de pessoas concretas, de vidas construídas ao longo de décadas, de património, de negócios e de relações familiares e de amizade. Os acontecimentos têm evoluído de forma acelerada e são de análise complexa, ao contrário do que fazem crer dezenas de comentadores cujos conheciment...