Raízes que permanecem, pontes que unem JM 25-07-26

 Raízes que permanecem, pontes que unem

Ontem tivemos mais uma edição do Fórum Madeira Global. Foi um momento para a reafirmação do compromisso entre a Madeira e as suas comunidades, entre aqueles que vivem na Região e aqueles que, por circunstâncias da vida, construíram o seu percurso além-fronteiras sem nunca deixarem de levar consigo a sua terra, os seus valores, as suas tradições e os seus costumes.
A edição de 2026 revestiu-se de um significado muito particular. Celebrámos os 50 anos da Autonomia da Região Autónoma da Madeira e os 10 anos do Fórum Madeira Global. Duas efemérides que, embora distintas, convergem na mesma ideia: a afirmação de uma Madeira mais forte, mais confiante e mais capaz de projetar a sua identidade para o mundo.
Ao longo destas cinco décadas, a Autonomia permitiu à Região alcançar um nível de desenvolvimento que poucos poderiam imaginar. Em apenas cinquenta anos, a Madeira transformou-se profundamente, consolidando infraestruturas, melhorando a qualidade de vida da sua população e afirmando-se internacionalmente como um território moderno, competitivo e aberto ao mundo. Mas esse percurso nunca teria sido completo sem aqueles que, vivendo fora da Região, continuaram a promovê-la, a defendê-la e a preservar o sentimento de pertença que une todos os madeirenses.
As comunidades madeirenses são um dos maiores ativos estratégicos da Região. Representam um património humano, cultural, social e económico de valor incalculável. São elas que mantêm viva a nossa identidade em dezenas de países, que promovem a Madeira além-fronteiras e que demonstram, diariamente, que a distância nunca foi obstáculo ao amor pela terra onde nasceram ou de onde partiram os seus pais e avós.
Este Fórum voltou a evidenciar essa realidade. Os testemunhos vindos da África do Sul, do Brasil, dos Estados Unidos da América, do Reino Unido e da Venezuela mostraram diferentes percursos, diferentes desafios e diferentes formas de viver a Madeirensidade, mas revelaram uma mesma convicção: as raízes permanecem e continuam a unir gerações.
A Venezuela ocupou, naturalmente, um lugar especial nesta edição. Os recentes sismos atingiram uma das mais emblemáticas comunidades da diáspora madeirense, deixando um rasto de sofrimento que também foi sentido na Madeira. Perante essa adversidade, voltou a ficar demonstrado que os laços entre a Região e as suas comunidades não se resumem à memória nem às celebrações. Traduzem-se em solidariedade, responsabilidade e ação. Quando uma comunidade madeirense enfrenta dificuldades, toda a família madeirense se mobiliza. É essa capacidade de permanecer unida nos momentos mais difíceis que continua a distinguir o nosso povo.
Também as primeiras Condecorações Madeira Global simbolizaram esse reconhecimento coletivo. Ao homenagearmos três personalidades da nossa diáspora, homenageámos todos aqueles que, através da sua ação cívica, empresarial, científica, cultural ou associativa, contribuíram para prestigiar a Madeira e fortalecer a ligação entre a Região e os seus emigrantes e descendentes. São exemplos que merecem ser conhecidos e, sobretudo, seguidos.
Mas, se a memória merece ser celebrada, o futuro exige ser preparado. O maior desafio das nossas comunidades passa hoje pela renovação geracional. As novas gerações vivem realidades diferentes das dos seus pais e avós. A sua relação com a Madeira constrói-se através de novas linguagens, novas formas de comunicação e novas formas de participação. Cabe-nos criar condições para que essa ligação continue viva, adaptando as políticas públicas e o trabalho das instituições a esta nova realidade.
Garantir essa renovação significa assegurar a continuidade das comunidades madeirenses enquanto espaço de identidade, preservar a língua portuguesa como elemento agregador e perpetuar a madeirensidade além-fronteiras. Significa, igualmente, proteger um ativo estratégico que continuará a ser determinante para a afirmação internacional da Madeira nas próximas décadas.
O Fórum Madeira Global termina, mas o seu propósito permanece. Continuar a construir pontes entre gerações, entre territórios e entre experiências de vida. Porque a identidade não é um legado que se guarda apenas na memória. É uma responsabilidade que se transmite.
Se quisermos que a Madeira continue a ser global nas próximas gerações, teremos de garantir que cada jovem madeirense ou luso-descendente encontre razões para continuar a dizer "a Madeira também é minha". É dessa renovação que depende a continuidade das nossas comunidades, a preservação da língua portuguesa e a força de um dos maiores ativos estratégicos da Região. Porque, no fim de tudo, uma comunidade não sobrevive apenas pelo passado que recorda. Sobrevive, sobretudo, pelo futuro que é capaz de construir.
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