Este blog nasceu como forma de registar o que sentia pela minha filha por vir. Deixei de escrever no dia em que ela nasceu. Recomeço agora, porque quero que ela leia tudo aquilo que eu não lhe disse!
Há uns anos, ouvi Manuel Ferreira Patrício descrever a “cidade querida” como sendo a cidade que se ama, mas também a cidade que se quer. Desde então, quando penso a cidade, o espaço urbano e o espaço público, penso sempre nestes termos: a cidade querida! Fruto do resultado das eleições, o Funchal abriu-se ao futuro no passado dia 20, com a tomada de posse do novo executivo municipal, liderado por Pedro Calado. Com a alternância democrática, entra um projeto político que promete acabar com o assistencialismo instalado, que criava uma teia de pequeníssimos interesses, assente na miséria alheia. Fica para trás a exploração da pobreza para efeitos propagandísticos. Acabou-se a manipulação dos interesses dos funchalenses em favor do permanente terrorismo político ao Governo Regional. Deixa de haver a vitimização que tentava ocultar a incapacidade, a incompetência, a inépcia. Terminou o tempo de fazer da capital madeirense o braço armado de António Costa na Madeira, contra os interesse...
Recentemente li a Ordem Mundial de Henry Kissinger. Nesse estudo, o ex-secretário de Estado dos EUA explora a história das relações internacionais, tomando o sistema de Vestefália (1648) como o ponto de partida para a ordem internacional moderna, baseado na soberania dos Estados e no equilíbrio de poder. O autor recorda-nos que “a ordem internacional assenta num conceito de legitimidade aceite por todas as grandes potências do sistema”. Quando essa legitimidade é posta em causa, a instabilidade alastra-se e hoje é precisamente esse o cenário em que vivemos. Os tratados nascidos em Vestefália que estabeleceram a soberania estatal, a não-intervenção e o reconhecimento mútuo parecem, em 2025, esgotados A soberania, outrora intocável, tornou-se permeável. O que hoje se observa, da Ucrânia à Palestina, de Taiwan ao Irão, não são apenas violações das regras vestefalianas, mas sim tentativas de as reescrever. A invasão da Ucrânia pela Rússia constitui uma afronta directa ao princípio vestefal...
Portugal é um país de partidas e de chegadas. A nossa história está marcada pelo encontro com o Outro e pelo esforço de integração: da nossa, nos outros países e dos estrangeiros, no nosso. O equilíbrio entre abertura e coesão é, não raras vezes, precário, razão pela qual torna-se fundamental que as políticas de imigração sejam rigorosas e objetivas. É por isso que a recente alteração à Lei dos Estrangeiros deve ser vista como um passo importante para uma política migratória mais responsável, mais justa e mais realista. Convém começar por distinguir dois conceitos que frequentemente aparecem associados: política de imigração e política de asilo. A primeira regula a entrada e permanência de cidadãos estrangeiros que procuram oportunidades económicas ou familiares e a segunda protege quem foge de perseguições, guerras ou catástrofes humanitárias. Misturar estas realidades é um erro e tem sido uma das causas de debate confuso e emocional em torno do tema. Aliás, os Juízes do Tribunal Cons...
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