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Geografia Insular, Identidade Global 9/03/2026 08:00

Geografia Insular, Identidade Global A Autonomia da Madeira não termina no mar. Esta afirmação política poderia, por si só, definir a Autonomia Regional. Porque, apesar de a nossa geografia ser insular, a nossa identidade e a nossa vocação são efetivamente globais. É essa dimensão que garante o nosso sucesso. Se dúvidas houvesse, a ideia ficou bem vincada na Conferência Açores–Madeira sobre os “50 Anos de Autonomia nas Comunidades”. Ficou claro que as autonomias insulares não se esgotam no território físico das Regiões: estendem-se à sua extensão humana no mundo. No encontro, com sessões nos palcos atlânticos de Ponta Delgada e do Funchal, reafirmou-se também uma verdade essencial: a Autonomia, determinante para o progresso das Regiões e para o sucesso das nossas comunidades, não nos foi oferecida. Foi conquistada. Exigiu visão estratégica, coragem política e capacidade para enfrentar centralismos profundamente enraizados na sociedade e na classe política da metrópole. E continua a exi...

Voto inSeguro, mas voto!

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  Há momentos na vida democrática em que o voto deixa de ser um gesto de entusiasmo, de esperança ou de confiança no futuro. São momentos em que pouco mais nos resta do que praticar um ato de contenção (ou até de contrição!). O horizonte dos próximos cinco anos é marcado por uma frustração inevitável, contra a qual nada há a fazer. Nestas eleições presidenciais, nunca nos foi oferecida uma verdadeira oportunidade para celebrar uma visão de futuro. Não nos foi apresentada nenhuma alternativa capaz de suscitar esperança. Não nos foi dado escolher o melhor dos mundos. A decisão que temos diante de nós é simples e trágica: determinar qual destes dois maus mundos ainda é habitável. Álvaro Cunhal, em circunstâncias bem diferentes, e perante a escolha de dois candidatos cuja dimensão política atira para um canto a totalidade das escolhas que nos foram apresentadas, formulou com brutal clareza o que temos de fazer: “(…)   engolir um sapo. Se for preciso, tapem a cara com uma mão e...

Não vou em (a)Ventura(s)

Nos anos 90, percorria eu os corredores da Faculdade de Letras na Universidade de Coimbra, enquanto estudante de Filosofia, li um artigo de opinião de João Carlos Espada subordinado ao tema: o paradoxo da Democracia. A ideia do autor era simples: a democracia liberal é o único regime político que aceita no seu próprio seio ideologias que podem atentar contra a sua sobrevivência. Ao contrário dos regimes autoritários, que se protegem pela exclusão, a democracia vive da abertura, do pluralismo e da liberdade de expressão, mesmo quando estas são usadas para contestar os seus próprios fundamentos. Mais, a democracia liberal permite que até não-democratas possam ser candidatos em qualquer processo eleitoral, colocando em risco a sua continuidade. O politólogo português desenvolveu este conceito a partir da ideia de Karl Popper, ao lembrar que a tolerância ilimitada conduz à destruição da própria tolerância. É à luz deste paradoxo, e não de qualquer desconfiança em relação ao voto, que eu av...

Memória, verdade e futuro! 12/12/2025 07:40

  Memória, verdade e futuro! 12/12/2025 07:40 No dia 18 de dezembro assinala-se o Dia Internacional dos Migrantes. Para marcar a efeméride, a Direção Regional das Comunidades e Cooperação Externa promoveu uma campanha que dá a conhecer a diversidade cultural e o ambiente intercultural que se vive na Madeira e que nos afirma como uma Região aberta, plural e cosmopolita. Uma realidade visível hodiernamente: da restauração à agricultura, das pescas aos serviços, dos trabalhadores menos qualificados aos altamente especializados, passando por estudantes, investidores, artistas, investigadores, professores e desportistas. É esta diversidade que enriquece a nossa sociedade e contribui para o seu desenvolvimento. Esta data lembra-nos também uma verdade frequentemente ignorada nos debates públicos: a história da humanidade é, desde sempre, uma história de migrações. Povos, culturas e economias nasceram do movimento, não do isolamento ou da estagnação. A mobilidade foi decisiva para o desenv...

Amanecerá y veremos - JM 09_01_26

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  Amanecerá y veremos Em muitas casas madeirenses, de Maturín à Calheta ou de Maracaibo ao Funchal, o início de 2026 trouxe o mesmo ritual silencioso: ligar a televisão, confirmar notícias, trocar mensagens curtas e esperar. Esperar por sinais de estabilidade, por palavras de tranquilidade, por um amanhã que traga maiores certezas. Desde o dia 3 de janeiro, milhares de famílias mantêm-se expectantes relativamente ao futuro, com apreensão, mas também com esperança e confiança. A Região Autónoma da Madeira acompanha com especial atenção o desenrolar dos acontecimentos na Venezuela, dada a profunda ligação histórica, social e afetiva que une estas duas sociedades. Não falamos apenas de laços simbólicos, mas de pessoas concretas, de vidas construídas ao longo de décadas, de património, de negócios e de relações familiares e de amizade. Os acontecimentos têm evoluído de forma acelerada e são de análise complexa, ao contrário do que fazem crer dezenas de comentadores cujos conheciment...