Filha, é assim: em momentos de tragédia na tua vida, jogas uma carta de cada vez. Os trunfos são os últimos. Quando já não tens mais trunfos, ou venceste ou foste derrotada. Se for esse o caso, aceita a derrota e segue para outra batalha. Porque não serve de nada continuar uma batalha perdida! Há outras a vencer. Há muitas outras em que podes sair vencedora, sem que te tenhas de empenhar tanto e sem tanto custo. Sem que isso te exija uma vida. Sem que isso anule quem és. Os cadáveres que deixares para trás, serão fantasmas que não são teus. Apenas serás responsável pelas vidas com as quais te irás deparar no futuro. É com essas que te deves preocupar, porque essas serão as almas que podes mudar. Que podes salvar. Que serão relevantes. Não renegues o passado. Mas não deixes que te determinem o teu futuro.
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Bum-bum! Bum-bum! Bum-bum! Até hoje, apenas te reconheço esta voz. Este som que te faz vida, que assinala a tua presença, que me garante que não és simples memória de um sonho. Pelo som que nos concedes, não é, ainda, possível, identificar qualquer reacção tua, qualquer sentimento, qualquer desejo. E, no entanto, falamos… Estabelecemos, já, longos diálogos, como promessa do que há-de vir, sobre a Vida e sobre o Amor. Já estabelecemos um elo inquebrável, que não se reduz a qualquer exoterismo ou misticismo oco. Já me demonstraste que és, porque existes, não como essência, mas como presença no plano da existência. Não leste Sartre, não leste de Beauvoir, não leste Camus, mas já te instituíste. Uma existencialista que me saíste, tu! Bum-bum! Bum-bum! Bum-bum! Com a tua atitude assertiva, o teu carácter vincado, demarcas já o teu espaço. Uma General de 400 gramas, do tamanho da minha mão – mas é uma mão grande, dizes-me sorridente e já me condenando à veneração a uma deusa pagã! Bum-bum! B...
VITÓRIA
No passado dia 4 de janeiro de 2024, fui deixar a minha filha Beatriz ao aeroporto do Funchal, para o regresso a Évora, após a passagem de ano comigo. Depois de a entregar ao funcionário que a acompanhou, subi ao terraço, à espera de ver a Bia entrar no avião e a aguardar pela sua partida. Obviamente que estava muito triste pela despedida e contava os dias para voltar a estar com a minha filha. Enquanto estava cá fora, vi uma linda menina, com uns 4 ou 5 anos, a brincar, correndo de um lado para outro. Estava acompanhada pela família que, como vim a saber mais tarde, era composta por pai, mãe e tio. De vez em quando, a menina aproximava-se e parava, encostada a mim. Ria-se e voltava a correr. Entretanto, a Bia entrou no avião e a menina continuava a brincar. Assim que A321 iniciou a saída para a pista, a menina aproximou-se novamente e ficou parada a olhar para mim. Falei-lhe, fiz-lhe carinhos no cabelo e também nada disse, nem se mexeu. Perguntei-lhe o nome e ela continuava vidrada em...
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