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COVID-19 E GOVERNOS Opinião | 30/10/2020 08:30

  Qualquer coisa que possa ocorrer mal, ocorrerá mal, no pior momento possível Lei de Murphy Ontem, pela primeira vez, ultrapassou-se em Portugal a barreira dos 4 mil infetados, em 24 horas, pela Covid-19. Foi o derradeiro indicador de que a 2ª vaga está aí e veio em força. Após o breve interstício veranil, o raio do vírus voltou para nos infernizar a vida e ensombrar ainda mais o futuro. Tememos pela robustez do Sistema Nacional de Saúde e pela sua (in)capacidade de resposta a uma crise intensa, mas tememos também pelo futuro da economia, cada vez mais tenebroso, que pode provocar mais vítimas do que a própria doença. Como institucionalista, naquela que é a maior crise sanitária das nossas vidas, entendo que devemos reservar as nossas opiniões e agir de acordo com as orientações das instituições. Não há espaço de manobra para cada um fazer como entende ou agir de acordo com a sua “liberdade” ou a sua “consciência”. O tempo é de cerrar fileiras e agir de acordo com aquilo que são a...

PRESIDENCIAIS E TRAMBOLHOS Opinião | 03/10/2020 08:00

Ana Gomes convidou Paulo Pedroso para a estrutura organizativa da sua candidatura. À partida, tudo normal porque o socialista é um homem livre e não tem qualquer dos seus direitos coartados. Todavia, a passagem pelo mundo deixa lastro e a história individual de cada um persegue-nos. Paulo Pedroso pode ser um político de excelência (o que não me parece), pode ser um homem de princípios e valores elevados (o que desconheço), pode ser um mestre em estratégia política (o que seria uma surpresa). Mas Paulo Pedroso tem também no seu currículo a acusação de um crime hediondo. E isso é o menos, porque foi considerado inocente pela Justiça e o Estado Português até foi condenado, pelo Tribunal Europeu dos Direitos Humanos, a pagar-lhe uma indemnização. O mais grave, no seu passado conhecido, foi a proteção de que foi alvo por parte de todo o sistema político português e muito concretamente pelo PS, que não mediu esforços para proteger o seu então deputado. Todos nos lembramos das escutas que rev...

O ELOGIO DA TRAIÇÃO Opinião | 06/08/2020 08:29

  "Sabe, no fundo eu sou um sentimental. Todos nós herdamos no sangue lusitano uma boa dosagem de lirismo (além da sífilis, é claro) Mesmo quando as minhas mãos estão ocupadas em torturar, esganar, trucidar Meu coração fecha os olhos e sinceramente chora..." Chico Buarque Em 1973, o cantautor brasileiro Chico Buarque compôs o “Fado Tropical” para a peça “Calabar, o elogio da traição”. A peça conta a história de Domingos Fernandes Calabar, um soldado mulato do exército português que, em 1624, procurava expulsar os holandeses do Nordeste brasileiro. Na verdade, a comédia musical é mais uma sátira à ditadura militar que se vivia no Brasil, bem como ao salazarisno que agonizava em Portugal e, de acordo com investigadores,  propõe uma reflexão sobre as noções de fidelidade, de patriotismo e de nacionalismo. Pego nos versos do Chico porque desde que os ouvi pela primeira vez que fiquei convencido que sempre foi assim o Império Português: dominámos outros povos também pela força, pe...

O PSD E AS ELEIÇÕES AUTÁRQUICAS Opinião | 30/08/2020 08:00

  As eleições autárquicas ainda vêm longe e alguns dos principais dirigentes do CDS-PP defenderam, recentemente, coligações com o PSD-M para todos os concelhos da Região. Aliás, no caso de alguns dirigentes, o tom foi de ultimato o que não contribui para a tranquilidade que a análise e negociação exigem. Percebe-se a razão e percebe-se a urgência. O CDS-PP, eleitoralmente, é praticamente inexistente em muitos concelhos da Região e vê, assim, uma oportunidade única para chegar ao poder em autarquias onde nem nos seus melhores sonhos teria poder executivo. O objetivo é tentar eleger militantes onde nunca tiveram qualquer representação e reforçar o seu peso nas autarquias onde tem alguma relevância eleitoral. O argumento é de que os madeirenses não compreenderiam que a coligação que suporta um Governo Regional estável não se replicasse a nível local. Ora, isto não é justificação, é desculpa. Os madeirenses entendem muito bem que a coligação para o Governo Regional foi indispensável pa...

RADICALMENTE SOCIAL-DEMOCRATA! Opinião | 09/07/2020 08:54

Sou daqueles que acredita que a gestão das instituições não é melhor, mais honesta ou mais transparente por serem de natureza pública ou privada. Não acho que umas sejam piores do que as outras ou mais sujeitas a fraude ou outro tipo de falcatruas, apenas devido à natureza do seu “acionista”. Conheço muitos decisores, dirigentes e até técnicos da administração pública que gerem de forma exemplar os orçamentos pelos quais estão responsáveis. Aliás, conheço técnicos com vencimentos miseráveis que gerem orçamentos de milhões e não ficam atrás de qualquer gestor privado de renome ou da moda (esses sim, muitas vezes, com vencimentos principescos). Tal como conheço muitos gestores privados que gerem os seus orçamentos e instituições, não apenas observando os interesses dos acionistas, mas também os dos trabalhadores e os da própria comunidade onde se inserem. Conheço um, que escreve para a concorrência com os poucos caracteres que lhe concedem, que é apelidado de “o melhor patrão d...

“CONSPIRAÇÃO CONTRA A AMÉRICA” Opinião | 11/06/2020 08:00

“O medo preside estas memórias, um medo perpétuo. Toda a infância, é claro, tem os seus terrores, mas pergunto-me se não teria saído uma criança menos assustada caso Lindbergh não tivesse chegado à Presidência ou se eu não fosse filho de judeus”. Philip Roth Imagine que em 1940 é eleito Presidente dos Estados Unidos Charles Lindbergh, um herói americano que, em 1924, realizou o primeiro voo entre Nova Iorque e Paris. Um homem adorado por todos: piloto corajoso; marido dedicado; pai extremoso; famoso; rico; cobiçado. Os pais queriam-no para seu filho; os filhos, para seu pai. As esposas para seu marido; os maridos apenas poderiam sonhar em ser tão desejados. Um verdadeiro herói nacional, adulado por toda uma nação. Paralelamente, Lindbergh era também um fervoroso adepto das ideias antissemitas; simpatizante do regime nazi, líder do movimento America First, profundamente nacionalista e defensor de uma política de não-intervenção na Segunda Grande Guerra. O que teria suced...

Da hipocrisia

Defender grandes virtudes universais e fingir que não vemos os atropelos perpetrados debaixo do nosso olhar!